Claro que o cliente sabe o que quer!

É comum ouvir em conversas sobre produtos que o cliente não sabe o que quer. Em determinada altura alguém vai soltar a famosa frase de Henry Ford, o inventor do automóvel:

“Se eu tivesse ouvido os usuários, ao invés do automóvel eu teria inventado uma carroça mais rápida”

Aliás, quem gostava de repetir essa frase à exaustão era o eterno CEO da Apple, Steve Jobs.

As pessoas sabem o que querem, uma solução!

As pessoas sabem sim o que querem. Elas querem uma solução para os seus problemas. O que elas não costumam saber é qual é a solução para esses problemas. E é aí que entra Henry Ford, Steve Jobs e o nós, o resto dos mortais, que queremos desenvolver produtos para resolver esses problemas.

Os primeiros passos para criar um bom produto são:

  • perceber que existem pessoas com um problema para ser resolvido
  • entender muito bem qual é esse problema
  • entender o que motiva as pessoas a querer que esse problema seja resolvido

Quando você conversar com pessoas com problemas, algumas até dirão que acham que esse problema poderia ser resolvido assim ou assado mas nesse momento, o mais importante é descobrir se existe um problema a ser resolvido!

Problema: as pessoas demoravam muito tempo para se locomover

Esse foi o problema que as pessoas queriam que alguém resolvesse para eles na época de Henry Ford. Não importava como. Podia ser com mais cavalos na frente da carroça, podia ser cavalos treinados para andar de patins, podia ser com cavalos geneticamente modificados para andar mais rápido, podia ser com a invenção do automóvel, podia ser com a invenção do avião, podia até mesmo ser com a invenção do teletransporte. Note que para quem tinha o problema de demorar para chegar, a forma como seria resolvido não importava, desde que fosse resolvido.

Problema: pais querem ir ao restaurante com seus filhos pequenos e querem ter um almoço tranquilo

Esse é um problema que muitos pais têm. Existem várias formas de se resolver esse problema. Um deles é com um iPhone, iPad ou qualquer aparelho touch carregado com joguinhos e filmes para crianças. Com certeza essa é uma solução para esse problema que ninguém tinha pensado antes da existência dessa tecnologia. Acho até que nem Steve Jobs havia pensado nesse tipo de uso. Contudo, como nosso foco é no problema, e não no produto, é fácil ver que essa não é a única solução. Há outras como, por exemplo, o restaurante distribuir kits para crianças com caderno de atividades e desenhos para colorir, ou ainda o restaurante ter uma área reservada para crianças com monitores que fazem brincadeiras com os filhos enquanto os pais podem ter uma refeição tranquila.

Problema: pessoas querem fazer reeducação alimentar para poder ter uma alimentação mais balanceada e assim perder peso e se sentir melhor

Sempre que se vai a médicos ou nutricionistas, surgem aquelas folhinhas com dietas e várias sugestões de cardápio para serem seguidas. Quem já fez dieta sabe, restringir alguma coisa na alimentação é muito difícil. A gente fica contando os dias para acabar a dieta e poder comer de novo aquilo que nos foi restringido. E na correria do dia-a-dia, seguir sugestão de cardápio é impraticável.

Até que um dia encontrei uma nutricionista que não fez nenhuma restrição, apenas me pediu que eu fizesse um diário alimentar, ou seja, que eu anotasse o que eu comia e a quantidade para que depois pudéssemos analisar juntos o que precisava ser ajustado, quais “escorregadas” não faziam muito mal e quais deveriam ser evitadas, enfim um controle mais adaptável ao meu dia-a-dia. Ela me contou que pessoas que mantêm um diário alimentar perdem até o dobro do peso que as que não têm o registro.

Daí surgiu a ideia de procurar algum sistema contador de calorias. Encontrei vários, todos com alguns pontos interessantes mas nenhum deles suficientemente bom para me manter motivado a continuar usando.

Para atender a essa minha necessidade, resolvi montar o ContaCal.

Próximo post

Amanhã veremos onde encontrar problemas para resolver e onde estão os melhores problemas.

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