5 anos depois, como está o ContaCal?

Agora em julho o ContaCal está completando 5 anos! Nesse artigo irei contar com está o ContaCal, experimento de startup que iniciei em julho de 2011 com o objetivo de avaliar se era possível criar do zero, sem nenhuma marca forte por trás, um produto web que desse algum retorno.

Esse experimento acabou virando um livro, o “Guia da Startup: Como startups e empresas estabelecidas podem criar produtos web rentáveis“, meu primeiro livro, lançado em 2012, que acabou sendo também o primeiro livro da editora Casa do Código, startup criada pelo pessoal da Caelum para edição de livros de tecnologia que hoje conta com mais de 380 títulos.

Quanto tempo demora até ter retorno?

Uma pergunta que todo mundo que começa um novo empreendimento se pergunta é quanto tempo leva para começar a ter resultados desse empreendimento. Como dá para ver acima, por mais rápido que se seja, o caminho é longo. As entrevistas que fiz (veja no índice) mostram sempre uma história de anos até ter os primeiros resultados. Mesmo nos produtos da Locaweb, após lançarmos o produto leva meses, e às vezes até mais de um ano, para atingir a rentabilidade no mês. Isso sem contar o tempo de desenvolvimento do produto. Por isso é importante estar preparado financeira e emocionalmente para a jornada.

Em 2012 foi disponibilizado um relatório chamado “Startup Genome Report“. Esse relatório é uma análise feita com dados de mais de 650 startups de produto web, feito por alunos e professores de Berkley e Stanford, com o apoio do Steve Blank, da Sandbox Network e de 10 aceleradoras de startup de todo o mundo. Vale a pena dar uma olhada. Tem muita informação interessante nesse relatório.

Esse relatório divide o ciclo de vida de uma startup em 4 fases:

  • Discovery: o foco é descobrir se o produto web resolve um problema e se há alguém interessado nessa solução. Média de 5 a 7 meses.
     
  • Validation: aqui o foco é validar se existem pessoas interessadas no produto em troca de dinheiro ou de atenção. Costuma demorar entre 3 a 5 meses.
     
  • Efficiency: esse é o momento de refinar o modelo de negócio e melhorar a eficiência da aquisição de clientes. Mais 5 a 6 meses.
     
  • Scale: Se tudo correu bem nas fases anteriores, aqui é o momento de pisar no acelerador para fazer a startup crescer. São mais 7 a 9 meses.
     

Ou seja, até chegar na fase de escalar são de 13 a 18 meses. No final do relatório é apresentado um gráfico que mostra o tempo que leva para chegar na fase de escalar em função do número de sócios-fundadores:

Tempo para chegar a fase de escalar

Esse gráfico mostra que leva pelo menos de 20 a 30 meses até chegar na fase de escalar. Isso se vc não estiver sozinho. Caso você esteja sozinho na sua startup, o que é o caso do ContaCal, pode levar mais de 5 anos.

A evolução do ContaCal

Desde o começo, em julho de 2011, até maio de 2012 foram os meses em que tentei entender se o ContaCal resolvia o problema de alguém e se havia alguém disposto a pagar por essa solução. Essa foi a fase de descoberta, e durou 9 meses.

Em seguida veio a fase de validação. Em agosto de 2012 o ContaCal havia atingido a rentadilidade no mês, ou seja, as receitas do mês foram maiores do que os custos do mês. Nesse momento comecei a investir um pouco mais em marketing para continuar fazendo a validação até maio de 2013.

A partir daí veio a busca pela eficiência.

Abaixo o gráfico de receita mensal do ContaCal que mostra essa evolução.

Evolução do ContaCal até jan/15

Retorno do investimento

Até hoje (julho/2016) investi R$ 136.201,82 no ContaCal e recebi R$ 137.668,52. O retorno do investimento acumulado só aconteceu há 3 meses atrás, 4 anos e 10 meses depois do primeiro mês. Esse prazo bate com o previsto pelo Startup Genome Report. Veja abaixo a curva de resultado acumulado do ContaCal.

contacal-resultado-acumulado

Então o ContaCal deu certo?

A resposta curta é depende!… :-P

Depende do ponto de vista. Como explicado acima, o ContaCal foi um experimento para ver se era possível criar do zero, sem nenhuma marca forte por trás, um produto web que desse algum retorno. Desse ponto de vista, ele deu certo, pois mostrou ser possível.

Do ponto de vista de retorno financeiro, não deu certo. A partir de julho de 2013 começou fase da eficiência, ou seja, de refinar o modelo de negócio e melhorar a eficiência da aquisição de clientes. O correto seria passar alguns poucos meses nessa fase para então entrar na fase de escalar, mas isso não aconteceu, como fica bem claro na imagem abaixo.

evolucao-contacal-2

Por que o ContaCal não escalou?

No artigo entitulado Quanto tempo dedicar? Quem devo chamar? eu falei sobre dois temas que poderiam ter influenciado o resultado e ajudado o ContaCal a escalar:

  • quanto tempo dedicar: no artigo minha recomendação era que “vc continue com seu trabalho atual e use-o para financiar sua startup. Depois que sua startup crescer, veja se ela demanda sua atenção tempo integral. Pode ser até que ela não demande a sua atenção em tempo integral, mas sim a de alguém com um perfil diferente do seu, que vc venha a contratar para tocar o dia-a-dia da sua startup que, a essa altura já não será mais uma startup.” A recomendação continua válida. Contudo, é importante ter clareza sobre qual o momento em que vc vai investir mais tempo na sua startup. Olhando em retrospecto, provavelmente no início de 2014 eu deveria começar a colocar mais energia no ContaCal. Ele estava começando a ficar cada vez mais eficiente e eu já precisaria ter estratégias para escalar. Muito provavelmente para escalar seria necessário mais dinheiro. É nesse momento que se busca investidores, que poderia ser eu mesmo, caso eu decidisse investir minhas economias, ou poderia ser parentes e amigos, outra possível fonte de dinheiro para investir em um novo negócio. Outra opção ainda seria buscar um investidor anjo, o que certamente dá um pouco mais de trabalho. Ou seja, em um determinado momento eu, ou alguém que eu contratasse, teria que se dedicar bastante ao ContaCal, com a missão de fazê-lo passar da fase de eficiência para a fase de escala.
     
  • quem devo chamar: no artigo comento que “essa é uma pergunta e uma decisão muito pessoal. Depende muito de sua personalidade. Ter sócio numa startup significa ter uma pessoa que vai trabalhar com vc nesses primeiros passos de desenvolvimento de seu produto web. Tem pessoas que não conseguem trabalhar sozinhas. Já outras só conseguem trabalhar sozinhas. E ainda há as que às vezes preferem trabalhar sozinhas e às vezes preferem trabalhar em conjunto com outras pessoas.” Sem dúvida é uma decisão bastante pessoal, mas até mesmo o Startup Genome Report deixa claro que a startup anda bem mais rápido de forem duas ou mais pessoas. Isso provavelmente acontece pelo comprometimento que cada pessoas tem com as outras para que a startup dê certo. Olhando em retrospecto, o ContaCal poderia ter se beneficiado se eu não o tocasse sozinho.

E por que eu decidi não dedicar mais tempo, nem procurei dividir com alguém? Porque o ContaCal era um experimento de startup. Meu objetivo não era fazer uma startup nem que gerasse meu sustento, nem que crescesse rapidamente, dois possíveis objetivos que expliquei no artigo sobre porque ter uma startup. Meu objetivo era ver se era possível criar do zero, sem nenhuma marca forte por trás, um produto web que desse algum retorno. E esse objetivo foi atingido! \o/

Exemplo de startup que escalou

No final de 2012 a Locaweb decidiu investir em uma startup chamada Eventials, uma plataforma para transmissão de palestras online. Nessa época a Eventials vinha crescendo em termos de visitantes e número de palestras online. A equipe da Eventials, na época 3 pessoas, decidiu reescrever toda a aplicação para atender a demanda por novas funcionalidades e evitar gargalos na infra-estrutura. No início do segundo trimestre de 2013 a nova aplicação foi lançada. Também nessa época a equipe da Eventials, que era de Blumenau, decidiu se mudar para São Paulo, para dentro do escritório da Locaweb. Sou membro do Conselho da Eventials e passei a ter reuniões quinzenais com o Thiago Lima, fundador e CEO, para que pudéssemos trocar experiências sobre startups e gestão de produtos. No início de 2014 decidimos mudar o modelo de negócios, de Freemium com “Pay-As-You-Go”, onde o palestrante podia criar palestras gratuitas mas, para poder ter funcionalidades mais avançadas tais como estatísticas, palestras pagas e palestras privadas, o palestrante precisava comprar créditos que eram consumidos quando os visitantes assistiam as palestras, para venda de planos com mensalidade, o que aumentou consideravelmente a previsibilidade da receita mensal da empresa.

A Eventials é um ótimo exemplo de startup que escalou. Ela foi fundada em 2010. Em 2012 o Thiago já tinha um time de pessoas com ele e procurou alguém para investir, além dele mesmo. A Locaweb decidiu fazer essa aposta. Até hoje a Eventials ainda não retornou tudo o que foi investido, isso porque toda a receita é reinvesitda na empresa. Contudo, ela já está num patamar de receita bem interessante, com mais de R$ 100K por mês. Veja abaixo a evolução de receita da Eventials e as fases do ciclo de vida claramente definidos.

evolucao-eventials

Concluindo

Como sua startup irá evoluir depende muito de vc e de seus objetivos. Isso tem a ver com o que escrevi no artigo sobre porque ter uma startup. É importante que vc tenha isso bem claro.

Se vc está construindo sua startup junto com alguém, vcs precisam estar alinhados sobre seus objetivos. Se vocês tiverem objetivos diferentes, isso certamente trará conflitos durante a jornada, conflitos esses que poderão chegar ao ponto de serem irreconciliáveis.

Vale lembrar que seus objetivos em relação à sua startup podem mudar ao longo do tempo, à medida que vc tem novos aprendizados pelo caminho.

No meu caso específico, meus objetivos em relação ao ContaCal se mantiveram os mesmos ao longo de todo o caminho, conduzir um experimento para ver se era possível criar do zero, sem nenhuma marca forte por trás, um produto web que desse algum retorno. Comprovei que é possível e aprendi bastante no caminho, não só com o ContaCal, como também com muitas pessoas das várias startups e empresas estabelecidas com quem conversei ao longo desses anos.

Como você sabe, esse aprendizado todo acabou virando um livro, o Guia da Startup: Como startups e empresas estabelecidas podem criar produtos web rentáveis, lançado em 2012. Agora no segundo semestre de 2016 vou lançar a segunda edição desse livro, revista e ampliada com todas as lições aprendidas desde então.

Nem todo retorno é financeiro

Como eu havia comentado aqui, nem sempre o retorno que obtemos é o retorno financeiro. Eu particularmente não considero retorno financeiro umaboa métrica de sucesso de uma startup ou de uma empresa estabelecida. Retorno financeiro é igual ar para os seres vivos, essencial para a sobrevivência, mas não é por ter mais ar do que se consegue respirar que um ser vivo irá viver melhor.

O retorno de uma empresa acontece quando ela é capaz de cumprir sua missão. No começo desse ano defini a missão do ContaCal, sob a forma de resolução de fim de ano, como sendo:

Ajudar o maior número de pessoas a ter uma alimentação mais saudável e balanceada!

Hoje recebi uma mensagem, que compartilho aqui no Guia da Startup, pois me mostrou que estou conseguindo cumprir minha missão, pelo menos para uma pessoa! :-)

Fiz o periodo grátis de 5 dias e adorei já tinha eliminado 3 quilos com muita dedicação e com o apoio de vcs mas precisei esperar o tempo da assinatura ser liberada e com isso veio a pascoa e ai dei uma desanimada engordei 2 quilos pois me senti sozinha pois vcs ñ são só um conta calorias mas amigos que nos insentivam todos os dias a seguir em frente que iremos conseguir porque vcs só de escutarem este desabafo é como se fosse uma familia que cuida da gente fala o que podemos e ñ podemos comer ñ desanimando a gente mas se importando c a gente que bom ter vcs de volta vamos lá familia conta cal esta luta já esta ganha e com certeza comemorarei com vcs logo logo a minha vitória bjs fiquem c Deus

Por isso, sempre que pensarmos em uma novo projeto ou empreendimento, é importante pensar o que queremos com esse projeto além do retorno financeiro que, como eu disse acima, nada mais é do que o ar necessário para a existência da empresa. Qual o retorno esperado? Que problemas queremos resolver? Que necessidade queremos atender? Só assim sabermos medir os resultados de forma adequada para entender se estamos conseguindo atingir o retorno esperado.

Os 99,9%

Quem me conhece sabe que gosto muito de natação. Treino uma hora de segunda a sexta e, nos finais de semana, quando possível, vou para alguma praia ou lago competir em provas de natação em águas abertas.

Na natação, assim como em inúmeras outras habilidades que se queira adquirir, o dom, ou seja, a habilidade inata, conta pouco para as pessoas se tornarem especialistas nessa habilidade. O que é necessário é que:

  • se pratique bastante (10 anos ou 10.000 horas – equivalente a 4 horas por dia útil durante 10 anos);
  • a prática seja consciente, ou seja, que o praticante entenda o que está fazendo;
  • se tenha um bom guia (treinador, coach, mentor, etc.) e;
  • se tenha um ambiente propício.

Esses quatro fatores foram explicados em um artigo intitulado “The Expert Mind” publicado na revista Scientific American em agosto de 2006. Em 2008 Malcolm Gladwell, autor dos livros “O ponto da virada (The Tipping Point: How Little Things Can Make a Big Difference)” e “Blink, a decisão num piscar de olhos (Blink: The Power of Thinking Without Thinking)“, dedicou um livro inteiro a essa tema em “Fora de Série (Outliers: The Story of Success)“.

Eu não pratico natação 4 horas por dia útil. Pratico “apenas” 1 hora por dia útil, ou seja, preciso de 40 anos para virar um especialista. E mesmo que eu consiga praticar mais horas por dia, dificilmente conseguirei ter a performance do César Cielo ou Michael Phelps.


Já que não posso ser o melhor na natação, eu devo parar de praticar? Para que continuar investindo uma hora por dia treinando se não tem como eu competir com os melhores do mundo? Pelo simples prazer de nadar! Pela sensação de bem estar que sinto após cada treino. Pelo prazer de conhecer novas pessoas durante os treinos e nas provas em que participo que compartilham desse meu prazer de nadar. Por saber que a prática de uma atividade física é bom para o corpo e para a mente. Pelo prazer de melhorar. Para incentivar minha filha a praticar esportes. Enfim, existe uma quantidade grande de motivos para eu continuar nadando, mesmo que não exista nenhuma chance de eu competir com os melhores do mundo.

Faço parte dos 99,9%

César Cielo, Michael Phelps e todos esses nadadores que competem em olimpíadas e em provas mundiais de natação representam 0,1% dos praticantes de natação. Eu faço parte dos 99,9%. A mídia esportiva só fala dos 0,1%. A mídia dedicada à natação fala dos 0,5%. A mídia que fala de natação em águas abertas fala dos 0,1% de nadadores que praticam e competem em águas abertas. A mídia que fala de natação masters, ou seja, nadadores acima de 25 anos que deixaram a alta competição também se foca nos 0,1% dos nadadores masters. E está certo falar dos 0,1%, afinal a mídia fala do que é exceção. Os 0,1% é que são notícia.

E os 99,9%?

Continuam praticando natação pelos motivos que descrevi acima ou por outros que nem consigo imaginar. Esses 99,9% olham para esses 0,1% como fonte de aprendizado. O que eles fazem para conseguir nadar tão bem? Posso copiar alguma coisa que eles fazem para eu também melhorar? E o que eles fazem exageradamente que eu não quero fazer, pois não tem a ver como minha motivação para nadar?

O mesmo vale para startups e empresas em geral. A mídia fala apenas dos 0,1%. Fala de Google, Facebook, Twitter, Slideshare, Skype, Instagram, Yammer e de várias outras empresas grandes ou que conseguiram investimentos milionários ou que foram vendidas por valores bilionários. E são esses 0,1% que são notícia, exatamente por serem as execeções.

Como exliquei no post sobre problemas e necessidades, as startup bilionárias, ou seja, aquelas que tem crescimento bem acelerado, são raríssimas. Segundo o relatório Empreendedorismo em revista – 2011 da Organização de Desenvolvimento e Cooperação Econônica (OECD – Organization of Economic Development and Cooperation), menos de 1% das empresas com mais de 10 funcionários têm crescimento de funcionários maior que 20% ao ano nos últimos 3 anos. O estudo chama essas empresas de gazelas, devido à sua velocidade. Segundo o mesmo estudo:

Empresas que crescem mais rápido que o ritmo das gazelas (as super gazelas) são ainda mais raras – tão raras que é muito difícil de medi-las estatisticamente.

Como sabemos que o número de funcionários normalmente está diretamente ligado ao crescimento de receita das empresas, é fácil concluir as “super gazelas” de receita tb são raríssimas, tão raras que sequer têm relevância estatística. Contudo, elas absorvem toda a atenção da mídia, exatamente por serem exceções.

Sramana Mitra, uma reconhecida consultora de estratégia para startups que colobora frequentemente no site ReadWriteWeb, escreveu um artigo falando sobre os outros 99% de empreendedores onde ela diz:

Mais de 99% dos empreendedores que buscam por financioamento de VCs e investidores anjo são rejeitados. Alguns porque apresentam suas ideias muito cedo e estão despreparados, outros porque seu mercado é muito pequeno ou o ritmo de crescimento é lento. Mike Maples, um conhecido investidor anjo do Vale do Silício, recebe mais de 7.000 propostas de investimento por ano e escolhe apenas de 10 a 12 para investir. (Isso dá uma taxa de rejeição de 99,8%) [...] Mesmo assim, a mídia se foca nos 1% que são “financiáveis”. Quando a mídia fala sobre uma startup, ela está interessada em saber qual VC investiu e quanto investiu. Raramente pergunta quanta receita a startup tem e se a startup é rentável. [...] Por outro lado, existem inúmeras histórias de empresas de sucesso que cresceram sem nenhum centavo de investimento de VCs. [...] Elas existem num mundo de empreendedores que gostam de sua liberdade e não estão procurando vender suas empresas ou torná-las públicas. Pode-se dizer que são empresas feitas para curtir (build-to-enjoy) em oposição às empresas feitas para vender (build-to-flip).

Ou seja, o fato de uma empresa não estar nos 0,1% que a mídia fala não significa que ela não é uma empresa rentável e bem sucedida. Ao contrário, a quantidade de empresas rentáveis e bem sucedidas que iremos encontrar nos 99,9% das empresas que não aparecem na mídia é muito maior do que nos 0,1%.

Continue praticando e não se esqueça de sua motivação

Assim como na natação ou em qualquer outra habilidade que você queira adquirir, não existe pessoas com o dom de criar startups. Tanto Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, quanto Mark Zuckerberg do Facebook, chamaram pessoas experientes para ajudar no crescimento de suas startups. Steve Jobs estava no seu auge em seus últimos anos de Apple, certamente muito melhor do que no começo. Por esse motivo, é importante que você continue praticando, experimentando e estudando sobre como criar e gerenciar produtos web. Procure mentores para lhe ajudar nesse caminho. Troque experiências com outros empreendedores. Como explicado na Scientific Americam e no livro “Fora de Série”, quanto mais praticarmos de forma cosciente, mais nos tornamos especialistas no assunto.

E lembre-se sempre de sua motivação para ter uma startup. Assim como na natação, esses 0,1% de empresas que aparecem na mídia devem ser observados como fonte de aprendizado tanto positivo quanto negativo para a sua startup. O que essas empresas fazem que vc admira e que faz sentido para a sua startup? E o que elas fazem que não faz sentido para você pois não tem a ver com a sua motivação em abrir uma startup?

Mais dados sobre o mercado de aplicações móveis

Recentemente publiquei um post sobre aplicações móveis. Para completar esse post, compartilho mais alguns dados que encontrei.

Primeiro alguns dados sobre o mercado americano com informação sobre a evolução do tempo gasto em web comparado com o tempo gasto usando aplicações móveis:

Tempo de Uso de Aplicativos Mobile Vs. Browsers Web nos EUA (em minutos por dia)

Tempo de Uso de Aplicativos Mobile Vs. Browsers Web nos EUA (em minutos por dia)

Fonte: Flurry

Alguns dados muito interessantes sobre os diferentes modelos de negócio para aplicações móveis:

Modelos de negócio são utilizados no mercado de aplicativos móveis

Modelos de negócio são utilizados no mercado de aplicativos móveis

Fontes: IHS iSuppli Market Intelligence e eMarketer

Mais alguns dados do mercado americano sobre como as pessoas gastam o seu tempo em aparelhos móveis. É nítido o crescimento do tempo gasto em redes sociais:

Tempo médio diário gasto em apps para smartphones por categoria (em minutos)

Tempo médio diário gasto em apps para smartphones por categoria (em minutos)

Fonte: Flurry

E abaixo, mais um gráfico com dados do mercado americano sobre qual é a preferência de uso a depender do tipo de atividade online:

Utilização de app ou browser por tipo de atividade

Utilização de app ou browser por tipo de atividade

Fonte: Yahoo! Mobile Modes Whitepaper

Produto web, móvel ou social?

Não é necessário ser nenhum mago das previsões para perceber duas tendências que estão acontecendo na internet. A primeira delas é que cada vez mais as pessoas estão acessando a internet e aplicações web por meio de aparelhos móveis tais como iPhone, iPad e celulares e tablets com Android, ou mesmo aparelhos Blackberry ou com Windows Mobile. A segunda é que cada vez mais as pessoas gastam seu tempo online em redes sociais. Em função disso, é natural surgir uma dúvida quando se pensa em fazer um produto web se, ao invés de web, não deveríamos então estar pensando em fazer uma aplicação móvel ou mesmo uma aplicação social, ou seja, para ser usada dentro das redes sociais.

Para ajudar a responder a essa dúvida devemos olhar para duas questões, ter números do mercado em para entender essas tendências e conhecer seu usuário e onde ele quer seu problema resolvido.

Aplicações para aparelhos móveis

Antes de mais nada é preciso confirmar as tendências. A primeira é sobre o uso de aparelhos móveis para acessar a internet. O site StatCounter Global Stats oferece bons dados sobre acesso web agregados de um conjunto de 15 bilhões de pageviews mensais. Esses dados oferecem uma visão sobre como as pessoas estão acessando a web. É clara a tendência de aumento de acesso a web por meio de aparelhos móveis, mas ainda está na faixa de 10%:

Evolução global de acesso móvel à web

Evolução global de acesso móvel à web


No Brasil temos um pouco menos de adoção ao acesso móvel à web:

Evolução de acesso móvel à web no Brasil

Evolução de acesso móvel à web no Brasil


Nos Estados Unidos a situação também é parecida com a estatística global:

Evolução de acesso móvel à web no Estados Unidos

Evolução de acesso móvel à web no Estados Unidos

Somente por curiosidade, um país onde a adoção de acesso móvel quase se iguala e está próximo de passar o acesso via desktop é a Índia:

Evolução de acesso móvel à web na Índia

Evolução de acesso móvel à web na Índia


Para confirmar esses dados, aqui vão os dados de acesso ao site da Locaweb. Aproximadamente 97,5% dos acessos são feitos a partir de desktop ou notebooks:

Dados de acesso ao site da Locaweb em Abril/2012

Dados de acesso ao site da Locaweb em Abril/2012

E no ContaCal aproximadamente 93% dos acesso são feitos a partir de desktop ou notebook:

Dados de acesso ao site da ContaCal em Abril/2012

Dados de acesso ao site da ContaCal em Abril/2012

Esses gráficos mostram que é importante sim pensar em ter um produto web que possa ser acessado de forma móvel. Contudo, o mercado brasileiro, o americano e o mundial ainda não são majoritariamente móveis, nem estão próximos de se tornar majoritariamente móveis nos próximos 3 anos. Se olharmos a evolução da Índia, que está próxima de ter a quantidade de acesso móvel igual ao acesso desktop, essa situação chegou após 3 anos da situação que é vista no resto do mundo. É difícil saber se o acesso móvel vai substituir ou minimizar o acesso desktop. Pode até acontecer de aparecerem outras formas de interação que ainda não existem hoje. Contudo, o acesso por meio de aparelhos móveis é uma tendência clara, que deve não só ser observada de perto como também já deve motivar vc a agir, ou seja, a pensar em desenvolver versões móveis de seu site ou aplicação web caso vc ainda não o tenha feito. Para ajudar nessa tarefa, aqui vão algumas dicas:

  • entenda seu usuário: antes de pensar em como fazer seu site ou aplicação web ser móvel, vc deve dar um passo atrás e relembrar qual o problema ou necessidade que vc busca resolver e para quem. O acesso móvel ao seu site ou aplicação web pode ajudar essas pessoas a resolverem o problema ou necessidade? Se sim, então faz todo o sentido vc investir em fazer uma versão móvel da sua aplicação.
     
  • entenda o contexto: quando um usuário acessa um site ou uma aplicação web de um desktop ou notebook está normalmente sentado, com o computador em uma mesa ou no colo. A tela é grande, com bastante espaço para dispor informações. A interação é feita com mouse e teclado. Já com um smartphone a pessoa pode estar parada ou em movimento. A tela é pequena, com pouco espaço para disponibilizar informações e a interação é feita com o dedo em equipamentos touch ou com um apontador e um teclado pequeno. E num tablet a pessoa normalmente acessa sentada, com o tablet no colo ou sendo segurado em uma mão, ou em pé, com o tablet sendo segurado em uma mão, ou deitado, com o tablet apoiado nas pernas ou sendo segurado por uma das mãos. A tela é maior, chegando próxima do tamanho de tela dos notebooks menores, tendo assim um espaço razoável para dispor informações. A interação é normalmente feita com os dedos e, em alguns casos mais raros, com um teclado adaptado para tablets. É importante conhecer esse contexto onde cada aparelho é usado para desenvolver uma versão de seu site ou aplicação web que seja útil para seu usuário. Por exemplo, se vc estiver fazendo um site de um restaurante, no site que será acessado por desktop faz sentido colocar o cardápio, matérias de jornal que falam sobre o restaurante e fotos. Já na versão para ser acessada por smartphones, vc deve pensar no contexto e oferecer as funções mais úteis nesse contexto como, por exemplo, o site no smartphone pode ter dois botões grandes, um que ao ser tocado possibilita ligar para o restaurante e outro que, ao ser tocado, abre o Google Maps mostrando o endereço do restaurante.
     
  • evite começar com aplicação nativa: fazer uma aplicação nativa para o seu site ou produto web requer uma grande quantidade de esforço. Primeiro porque são novas tecnologias que vc terá que aprender. Segundo pq cada plataforma móvel tem suas linguagens de programação específicas e terceiro pq para disponibilizar uma aplicação nativa vc precisa passar pelo processo de aprovação dos donos das plataformas (Apple, Google, RIM e Microsoft). Para começar no mundo móvel, o mais recomendado é fazer uma aplicação web, usando HTML, CSS e javascript. No seu site web vc deverá colocar um javascript que detecte que tipo de aparelho seu usuário está usando para acessar seu site e deverá apresentar a versão mais apropriada para esse aparelho. Com isso, vc conseguirá ter um bom entendimento da utilidade de sua aplicação no contexto de uso móvel que, como vimos acima, é bem diferente do contexto de uso com desktops ou notebooks. A partir dessa informação vc poderá decidir se faz sentido investir no desenvolvimento de uma aplicação nativa. Só não se esqueça que fazendo aplicação nativa, vc terá mais código para dar manutenção. Uma aplicação nativa pode fazer sentido quando vc quer utilizar algum elemento do smartphone ou tablet que vc não consegue acessar ou se consegue acessar, a perfomance não é a ideal, por meio de sua aplicação web móvel como, por exemplo, a câmera, o microfone, o GPS ou o acelerômetro, que é um pedaço de hardawre que informa em que posição está o aparelho. Outra motivação é vc querer deixar sua marca na tela do aparelho móvel de seus usuários. Para isso vc terá que comunicar frequentemente para sua base de usuários sobre a disponibilidade de sua aplicação nativa para que eles a baixem e coloquem na tela de seus aparelhos.
     
  • tablet e smartphone são diferentes: tablets como o iPad estão mais próximos de um desktop do que de um smartphone. Quando alguém usa um tablet, normalmente usa em casa ou no trabalho, não raro em substituição a um notebook, ou seja, é portátil, mas tem uma tela grande. É diferente do uso de web no smartphone, que pode ser usado em movimento e a tela é pequena. Essas questões devem ser levadas em consideração quando vc estiver fazendo a versão mobile de seu site ou aplicação web. Talvez não seja necessário fazer uma versão específica para tablets e a versão desktop possa ser acessada tb por tablets.
     

Aplicações para serem usadas em redes socias

Em relação ao tempo gasto nas redes socias, dados da comScore mostram que esse tempo tem aumentado. Contudo, o tempo gasto online de forma geral também tem aumentado, talvez não na mesma proporção, mas tem aumentado.

Uso do tempo online

Uso do tempo online

Isso mostra que, quando fazemos um produto web, devemos pensar em como usar redes sociais para ajudar nosso produto web a resolver o problema ou necessidade de nossos usuários. Uma das maneiras mais básicas é pensar em rede social como ferramenta de divulgação, criando uma página para que seus usuários possam interagir entre si e com vc e criando formas que permitam que seus usuários recomendem sua aplicação para seus conhecidos.

Contudo, um questionamento que vc pode estar se fazendo é, se as pessoas estão passando cada vez mais tempo online em redes sociais, será que não é melhor fazer logo meu produto web dentro da rede social? Quem usa Facebook, Linkedin e MSN já viu que existem várias aplicações disponíveis dentro dessas redes sociais que servem para melhorar sua experiência. Um dos casos de maior sucesso é o FarmVille, feito pela empresa americana Zynga. O Farmville é um jogo dentro do Facebook e do MSN Games que permite que vc jogue com seus conhecidos nas redes sociais e até mesmo que conheça novas pessoas.

Se vc está pensando em fazer uma aplicação para ser usada dentro de redes sociais, vc tb deve se preocupar com o contexto, ou seja, onde e para que as pessoas usam redes sociais. Entendendo esse contexto, suas chances de obter bons resultados apresentando uma solução a problemas ou necessidades dentro de uma rede social aumentam. Tenho visto várias tentativas de oferta de ecommerce dentro do Facebook, mas nenhuma com sucesso comprovado. Talvez isso se deva ao fato de que as pessoas não usam o Facebook para fazer compras, mas sim para encontrar com os amigos. Muito provavelmente é por este motivo que FarmVille e outros jogos são um sucesso dentro do Facebook, pois estão alinhados com os objetivos das pessoas quando elas utilizam o Facebook.

Resumindo

Cada vez mais as pessoas estão acessando a internet e aplicações web por meio de aparelhos móveis tais como iPhone, iPad e celulares e tablets com Android, ou mesmo aparelhos Blackberry ou com Windows Mobile. E cada vez mais as pessoas gastam seu tempo online em redes sociais. Isso nos faz pensar se devemos mudar nosso foco de desenvolvimento de produto da web para uma aplicação móvel ou até mesmo uma aplicação dentro das redes sociais.

Como vimos acima, é importante sim estar antenado a essas tendências, mas devemos também entender muito bem nossos usuários, seus problemas e necessidades para oferecer a eles a melhor solução da maneira que for mais conveniente para eles, quer seja pela web, por meio de uma aplicação móvel ou aplicação dentro de redes sociais, ou até mesmo, uma estratégia mista acessível por qualquer uma dessas plataformas.

Próximos posts

Se você sente falta de algum tema que não tenha sido abordado aqui no Guia da Startup, ou achou que algum assunto pode ser aprofundado, basta escrever nos comentários. Caso vc tenha uma startup e queira compartilhar suas dúvidas, ou sua história, entre em contato pelos comentários.

Comentários

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Todo site e sistema web pode e deve ser considerado um produto web

Na quinta estive no 14º Encontro Locaweb de Profissionais de Internet em BH, um evento da Locaweb muito bacana para quem trabalha com internet. A partir do próximo, em Porto Alegre, farei uma apresentação sobre o que temos discutido aqui. Quem puder ir, será uma boa oportunidade para conversarmos e trocarmos experiências sobre desenvolvimento de produtos web.

Nas conversas que tive ontem com várias pessoas que desenvolvem sites e sistemas web acabei tendo um insight que gostaria de compartilhar aqui:

Todo site e sistema web pode e deve ser considerado um produto web.

Num dos primeiros posts defini produto web assim:

Um produto web é qualquer sistema web que permite:

  • que um usuário seja reconhecido quando ele retornar para utilizar o sistema e;
  • que dados sejam armazenados pelo sistema.

Normalmente esse tipo de sistema requer um cadastro mínimo feito com usuário e senha.

Note que eu disse “normalmente“, só que eu me toquei que qualquer site pode reconhecer seu visitante, mesmo não usando um cadastro com usuário e senha. Isso pode ser feito por meio de cookies ou pelo endereço IP de quem está visitando o site.

Sendo assim, qualquer site e sistema web pode ser considerado um produto web.

Mas pq todo site e sistema web DEVE ser considerado um produto web?

Porque devemos usar as técnicas de criação e gerenciamento de produto web para qualquer site e sistema web.

Qualquer site e sistema web é acessado por usuários que o fazem com o objetivo de resolver algum problema ou atender alguma necessidade. Quando vc, como usuário, acessa o site do UOL ou da Globo.com ou qualquer outro site de notícias, vc o faz porque está buscando notícias para se manter informado. Essa é sua necessidade. Quando vc acessa o site de uma clínica de exames laboratoriais, em busca de informações sobre agendamento de exames, vc é um usuário com um problema que vc quer resolver. Quando vc acessa o mesmo site dessa clínica de exames laboratorias para o resultado dos seus exames, vc é um usuário com um problema que vc quer resolver.

Agora coloque-se na posição de uma agência web ou de uma consultoria de desenvolvimento de software contactada por algum jornal ou alguma clínica de exames laboratoriais que lhe pede para fazer o seu site ou algum sistema para publicar notícias na web ou para dar acesso via web e por meio de alguma aplicação para iPhone, iPad e Android a resultados de exames. Vc não estará trabalhando no desenvolvimento de um produto seu, mas vc estará trabalhando no desenvolvimento de um produto de um jornal ou de uma clínica de exames laboratoriais, que será o seu cliente, e esse seu cliente, por sua vez, terá seus usuários e clientes para quem ele quer resolver um problema ou atender uma necessidade.

Mas o que garante que seu cliente realmente conhece seus usuários e clientes e sabe quais problemas ou necessidades eles têm? E aí que entra o conhecimento e as técnicas de criação e gestão de produtos web que estamos discutindo aqui no Guia da Startup, que se aplicam não só a startups, mas a qualquer empresa que tenha projetos de desenvolvimento de software.

Ontem em BH conversei com o Akita e o Rodrigo da CodeMiner 42, empresa de consultoria em desenvolvimento de software, sobre a necessidade de incluir nesse processo de desenvolvimento de software as técnicas de gestão de produtos web que temos comentado aqui no Guia da Startup, para ajudar os clientes que pedem um site ou um sistema web a conhecerem seus usuários e clientes e a entender quais são os problemas e as necessidades deles. Fiquei muito contente ao ouvir que eles não só que perceberam essa necessidade, como estão começando a incluir em suas propostas de trabalho de desenvolvimento de software um processo que eles chamaram de “Discovery“, para ajudar seus clientes a descobrir o que o software que eles foram chamados para desenvolver deve fazer.

Todo software ou site deve atender a dois objetivos principais:

  • atender aos objetivos do cliente que contratou o serviço de desenvolvimento de software ou site e;
  • resolver o problema ou necessidade dos usuários ou clientes de seu cliente que usarão esse software ou site.

Se vc faz parte de projetos de desenvolvimento de software ou de design de sites, experimente no próximo projeto, além de entender quais os objetivos de seu cliente com o software ou site que será desenvolvido, conversar com ele sobre o conhecimento que ele tem de seus usuários e clientes, e ajude-o a alinhar esses dois objetivos principais.

Próximo post

No próximo post vamos falar de uma técnica usada para conhecer o cliente e, consequentemente, ajudar a alargar o funil de conversão.

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O que vc achou dessa forma de pensar seus projetos de desenvolvimento de software e design de sites? Comente!

Problema ou necessidade?

Tenho falado muito aqui no Guia da Startup sobre entender qual o problema que o produto web vai resolver. Contudo, por várias vezes vejo essa palavra problema sendo trocada pela palavra necessidade, ou seja, qual a necessidade do usuário que o seu produto web vai atender.

Qual a diferença entre problema e necessidade?

Na entrevista com o Flavio Pripas, do byMK/fashion.me, quando perguntei qual o problema que o produto web dele resolve, ele respondeu:

Não era um problema declarado. As pessoas não falavam para nós que queriam uma rede social de moda. Contudo, percebemos que estávamos atendendo a uma necessidade latente.

Ou seja, existe uma diferença entre problema e necessidade. Pois bem, vamos recorrer à Wikipedia:

Um problema é um obstáculo, um impedimento, uma dificuldade, um desafio ou qualquer situação que peça uma resolução; essa resolução é reconhecida como uma solução ou contribuição em direção a um propósito ou objetivo estabelecido.

Fonte: Wikipedia

Uma necessidade é aquilo que é necessário para que um organismo viva de forma saudável. Necessidades se distinguem de desejos pois a deficiência em atender uma necessidade causa um resultado negativo claro. Necessidades podem ser objetivas e físicas, como alimentação, ou subjetivas e psicológicas, como auto-estima.

Fonte: Wikipedia

Steve Blank, conhecido empreendedor do Vale do Silício, que foi o mentor do Eric Ries no desenvolvimento dos conceitos de Lean Startup, postou ontem no seu blog um artigo com um título bem chamativo: “Como construir uma startup de um bilhão de dólares”. Apesar do título chamativo, o texto é bem interessante e aponta mais uma vez para essa diferença entre problema e necessidade.

É um problema ou uma necessidade?

Eu agora acredito que a proposição de valor do seu modelo de negócios (proposição de valor é o nome chic para o seu produto ou serviço) se encaixa em uma dessas duas categorias:

  • Ele resolve um problema e faz algo para um consumidor final ou uma empresa (software de contabilidade, elevadores, ar condicionado, eletricidade, tablets, escova de dentes elétrica, aviões, software de email, etc.)
  • Ou ele satisfaz uma necessidade social humana fundamental (amizade, encontro, sexo, diversão, arte, communicação, blogs, confissão, networking, jogos, religião, etc.)

Segundo Steve Blank, as startups bilionárias acontecem quando elas atendem uma necessidade. Concordo com ele, mas não acontecem somente quando se atende uma necessidade. Acontecem tb quando se resolve um problema. Existem inúmeros exemplos de startups bilionárias que nasceram para resolver problemas. Google resolveu o problema de encontrar informação na internet. E fez dinheiro resolvendo outro problema, permitindo que pequenas empresas pudessem encontrar clientes com campanhas com custos acessíveis e permitindo que empresas de qualquer tamanho possam fazer campanhas com uma forma muita clara de medição de resultados. Salesfoce.com é outro exemplo de startup que vende software de CRM via web, um serviço claramente voltado para resolver problema de gestão de relacionamento com cliente das empresas.

Sendo assim, quando vc pensar no que o seu produto vai fazer, se vai resolver um problema ou atender a uma necessidade, não se prenda ao conselho do Steve Blank, pois há oportunidades de se criar startups bilinionárias em ambos. Só não se esqueça que as startup bilionárias, ou seja, aquelas que tem crescimento bem acelerado, são raríssimas. Segundo o relatório Empreendedorismo em revista – 2011 da Organização de Desenvolvimento e Cooperação Econônica (OECD – Organization of Economic Development and Cooperation), menos de 1% das empresas com mais de 10 funcionários têm crescimento de funcionários maior que 20% ao ano nos últimos 3 anos. O estudo chama essas empresas de gazelas, devido à sua velocidade. Segundo o mesmo estudo:

Empresas que crescem mais rápido que o ritmo das gazelas (as super gazelas) são ainda mais raras – tão raras que é muito difícil de medi-las estatisticamente.

Como sabemos que o número de funcionários normalmente está diretamente ligado ao crescimento de receita das empresas, é fácil concluir as “super gazelas” de receita tb são raríssimos, tão raras que sequer têm relevância estatística. Contudo, elas absorvem toda a atenção da mídia, exatamente por serem exceções.

Pirâmide de Maslow

A Pirâmide de Maslow, também conhecida como Hierarquia de Necessidades de Maslow, foi proposta pelo professor de psicologia Abraham Maslow em 1943. Ele agrupou as necessidades em diferentes categorias e empilhou essas categorias de necessidades no formato de pirâmide para explicar como as necessidades humanas são priorizadas. Segundo ele, se as necessidades da base da pirâmide não estiverem satisfeitas, dificilmente a pessoa vai se preocupar com as necessidades dos níveis superiores da pirâmide.

Pirâmide de Maslow

Pirâmide de Maslow

A Pirâmide de Maslow é uma boa fonte de inspiração para vermos que necessidade podemos atender como nosso produto web. E além dessas necessidades, existe uma infinidade de problemas por aí esperando para serem descobertos e resolvidos!

Próximo post

Semana que vem falaremos de números!

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Claro que vc sabia que problema e necessidade são diferentes, mas vc já tinha parado para pensar nessa diferença e que um produto web pode ou resolver um problema ou atender uma necessidade? Comente!

Exemplo de retorno não financeiro

Quando escrevi sobre porque ter uma startup, comentei que nem todo projeto tem por único foco o dinheiro como recompensa e que nas startups de estilo de vida é comum encontrar pessoas que colocam as outras pessoas e seus problemas como prioridade.

Para ilustrar como podemos ter outro tipo de retorno que não só o financeiro, queria contar aqui o caso de uma usuária do ContaCal. O depoimento abaixo é de uma senhora de mais de 70 anos que pesava mais de 105Kg. Ela é mãe de santo, daí o “Mãe Shirley”. Ela sofre Coxartrose, uma doença de caráter degenerativo da articulação coxo-femural. Como ela estava acima do seu peso, a cirurgia só era recomendada caso ela emagrecesse 15Kg. Ela encontrou o ContaCal, se inscreveu, mas não conseguiu usar. Contudo, entendeu a ideia de anotar as refeições, baixou nossa tabela de alimentos e até hoje recebe os emails semanais com dicas. Vejam abaixo o depoimento dela:

Queridos, como vcs sabem e me orientaram muito bem, faço a Dieta dos Pontos desde de Junho de 2.011, emagrecendo até aqui 17 quilos, ingerindo somente as 1.100 calorias permitidas, agora o doutor disse que vai operar minha Coxartrose. [...] Perguntei ao doutor se seria bom antes fazer uma plástica removendo o tecido adiposo que se formou com a perda de peso, mas não fui encorajada devido minha idade, já não sou uma mocinha e com a idade temos que ir devagar não é? Pois o coração talvez não respondesse bem a duas cirurgias continuas, bem sem mais novidades espero que leiam, e me compreendam pois vcs são o meu esteio em se tratando de Dietas, pois sempre me encorajam a continuar, meu obrigada e ate mais. Mãe Shirley.

Ela não paga nenhum centavo para nós, mas o simples fato saber por meio de depoimentos como esse que o ContaCal é capaz de ajudar pessoas é um retorno que, para mim, supera o retorno financeiro.

Próximo post

Amanhã começamos o capítulo das ideias! Como encontrar ideias de produtos? Como testar essas ideias antes de começar a desenvolvê-las?

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O que vc achou desse depoimento? Vc tb já ouviu depoimentos assim em sua startup? Comente! Participe!

Quanto tempo dedicar? Quem devo chamar?

Dúvidas, dúvidas, dúvidas… Vc está pensando em montar uma startup e começa a aparecer um monte de dúvidas na sua cabeça. Será que vc deve largar seu emprego e começar a se dedicar tempo integral à sua startup? Mas se fizer isso, daqui a pouco vai ficar sem grana. Será que é bom então preparar um daqueles planos de negócio para apresentar para investidores para poder ter dinheiro para tocar sua startup? E quem chamar para ser fundador com vc? Será que precisa ser alguém com talentos complementares? Alguém com dinheiro? Será que precisa mesmo chamar alguém?

Quanto tempo dedicar à startup?

Antes de falar em quanto tempo dedicar, ou investir, na startup, é importante falar que além do investimento de tempo toda startup de produto web requer também um investimento de dinheiro. Quando contei o que terceirizei no desenvolvimento do ContaCal, falei que o custo total do desenvolvimento foi de R$ 6090,00. Isso foi uma opção de investimento financeiro que eu fiz. Eu poderia ter optado por investir esse dinheiro num fundo de renda fixa com um retorno de uns 7% ao ano, ou na bolsa de valores, com retorno incerto. Contudo, preferi investir no ContaCal, com retorno mais incerto ainda, só que eu tenho maior proximidade com o andamento desse investimento e posso aproveitar não só o resultado financeiro mas também a satisfação de poder ter criado e de manter um produto que resolve um problema para várias pessoas.

Eu só posso ser o investidor do ContaCal porque eu continuo trabalhando na Locaweb. Se eu tivesse saído da Locaweb para me dedicar 100% ao ContaCal, eu não teria o dinheiro necessário para investir no ContaCal. Além disso o ContaCal não precisa de minha atenção tempo integral. Precisa de minha atenção diariamente, de 30 minutos a duas horas por dia, a depender se vou só liberar acesso para alguém que acabou de assinar (sim, ainda faço isso de forma manual…) ou se vou enviar uma newsletter ou implementar algo novo no sistema, mas não precisa mais do que isso. Há várias tarefas que preciso automatizar então ainda há espaço diminuir ainda mais a necessidade de minha atenção diária. Mesmo que o ContaCal cresça, ele pode crescer de uma forma que não precise de minha atenção em tempo integral.

Existe uma percepção de que quanto mais tempo dedicarmos a um empreendimento, mais ele irá crescer e se desenvolver, mas isso não é verdade. Às vezes o excesso de dedicação pode até atrapalhar o desenvolvimento desse empreendimento.

Minha recomendação é que vc continue com seu trabalho atual e use-o para financiar sua startup. Depois que sua startup crescer, veja se ela demanda sua atenção tempo integral. Pode ser até que ela não demande a sua atenção em tempo integral, mas sim a de alguém com um perfil diferente do seu, que vc venha a contratar para tocar o dia-a-dia da sua startup que, a essa altura já não será mais uma startup. :-)

Devo chamar alguém para ser meu sócio?

Essa é uma pergunta e uma decisão muito pessoal. Depende muito de sua personalidade. Ter sócio numa startup significa ter uma pessoa que vai trabalhar com vc nesses primeiros passos de desenvolvimento de seu produto web. Tem pessoas que não conseguem trabalhar sozinhas. Já outras só conseguem trabalhar sozinhas. E ainda há as que às vezes preferem trabalhar sozinhas e às vezes preferem trabalhar em conjunto com outras pessoas.

Se vc escolher ter um, ou mais de um, sócio a minha recomendação é que vc escolha alguém com quem vc já tenha trabalhado bastante no passado e, preferencialmente, com quem vc tenha tido atritos e já tenha resolvido esses atritos pois certamente vc terá atritos durante o desenvolvimento e o gerenciamento de seu produto web. Uma recomendação muito importante é que todos os sócios invistam em quantidades iguais e tenham quantidades iguais de participação nos resultados financeiros da startup quando houver resultados financeiros. Se vc chamar alguém para ser um sócio que investirá mais dinheiro que vc, existe boas chances de esse sócio querer ditar, até mesmo sem perceber, os caminhos da startup. E isso provavelmente gerará atritos.

Se vc optar por não ter um sócio, a minha recomendação é repensar bastante essa decisão pois o caminho da startup costuma ser bem árduo e, nos momentos difíceis, o(s) sócio(s) acabam segurando a barra um do outro. Se mesmo assim vc preferir encarar sozinho, sem galho, é provável que sua esposa(o), namorada(o), companheira(o) tb podem fazer esse papel de te dar o apoio que vc precisa nos momentos difíceis. Mas como dizia minha vó, o combinado não é caro, então converse com ela(e) sobre seu projeto de startup, mantenha-a(o) a par do vc está fazendo, compartilhe tb os sucessos de sua startup e não só os fracassos. Outro ponto importante é que, mesmo escolhendo seguir sozinho, vc irá trabalhar com outras pessoas pois, conforme explicado antes, criar um produto web é um esforço multi-disciplinar e você certamente terá que lidar com outras pessoas, ou seja, vc não irá trabalhar sozinho.

Recapitulando

Até o momento vimos o que é uma startup, o que é um produto web, que tipo de conhecimento é necessário para se desenvolver um produto web, até mostramos um exemplo prático de terceirização, nos questionamos por quê ter uma startup? e hoje vimos quanto tempo dedicar e se devemos ou não ter sócio trabalhando com a gente na startup.

Amanhã encerro esse capítulo de requisitos mostrando alguns exemplos de retorno não financeiro do ContaCal e a partir de quinta começamos um novo capítulo, o das ideais! Como encontrar ideias de produtos? Como testar essas ideias antes de começar a desenvolvê-las?

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Tem gostado do que tem lido até aqui? Vc que já tem uma startup, fez sozinho ou chamou alguém? E vc que ainda está pensando em começar, está tendendo mais para ir sozinho ou chamar alguém? Comente! Participe!

Por que ter uma startup?

Eu estava com o post de hoje pronto, sobre quanto tempo dedicar à startup e se dá para fazer uma startup sozinho, e quando estava revisando, senti falta de falar sobre um tema muito importante, tão importante que deveria até ter vindo antes do post sobre quem deve criar uma startup de um produto web.

Aviso: esse será um post mais reflexivo, trará muito mais perguntas do que respostas. O objetivo desse monte de perguntas é ajudar a refletir um pouco sobre seus reais objetivos de ter uma startup. Esse é um caminho muito difícil, que dá muito trabalho, mas pode trazer muitas recompensas. A recompensa não virá necessariamente na forma de dinheiro, por isso é muito importante refletir bastante antes de começar essa jornada. :-)

Por que alguém quer criar uma startup?

Uma startup, como qualquer projeto, requer um esforço considerável. Quando investimos certo esforço em alguma coisa é normal termos a expectativa de termos alguma recompensa. Nem toda recompensa é dinheiro.

Saindo um pouco do mundo da startup e pensando em outros esforços que fazemos, quando investimos no relacionamento com alguém, namorada(o) ou esposa(o), que como todos sabem tem seu lado muito bom mas tem seu lado bem complicado, qual a recompensa que buscamos? Quando temos um animal de estimação, com toda a alegria e o carinho que o animal de estimação pode trazer, mas traz tb toda a responsabilidade e compromisso de cuidar desse animal, qual a recompensa que buscamos? Se animal de estimação é assim, filhos então! É compromisso e responsabilidade para toda a vida, com custo altíssimo, muita preocupação, grandes chances de ouvir muito desaforo, principalmente quando eles ficarem adolescentes. Qual é a recompensa que alguém busca quando tem filhos?

Ok, fui um pouco longe demais no exemplo dos filhos pois existe um amor incondicional que é impossível de explicar, mas acho que consegui atingir meu objetivo de deixar claro que nem todo projeto tem por único foco o dinheiro como recompensa.

Startup de crescimento vs startup de estilo de vida

Há algum tempo atrás o Rafael Rosa me apresentou o conceito de startup de estilo de vida (lifestyle startup) em oposição ao conceito de startup de crescimento (growth startup) que é mais conhecido:

  • startup de crescimento: são startups que têm um objetivo principal, o crescimento acelerado para que possa fazer fundadores, investidores e acionistas substancialmente ricos quando a startup for adquirida ou fizer um IPO. Quando vc está focado no crescimento acelerado da receita, todas as suas ações são motivadas por essa meta, que tem prioridade sobre todas as outras questões, incluindo clientes, produtos, colaboradores, fornecedores, qualidade, etc. É comum ouvir nesse tipo de startup perguntas do tipo “como nós fazemos este produto vender mais rápido?” ou “podemos criar um outro produto ou add-on para cobrar algum dinheiro extra de clientes já existentes?”. Neste tipo de startup é comum encontrar pessoas que colocam o dinheiro como prioridade.
     
  • startup de estilo de vida: são startups onde a receita tem por objetivo sustentar a empresa e o estilo de vida de seus fundadores e funcionários. Tão logo essa questão (sustentabilidade da empresa, bem como sustentabilidade do estilo de vida de fundadores e funcionários) é resolvido, a empresa pode ter foco total no cliente, produto, empregados, fornecedores, qualidade, etc. É comum ouvir questões do tipo “como vamos fazer um grande produto que resolve problemas reais dos clientes?” ou “como eu posso melhorar mais esse produto para que ele resolva o problema de mais pessoas?”. Neste tipo de startup é comum encontrar pessoas que colocam as outras pessoas e seus problemas como prioridade.

Note que os conceitos acima se aplicam não só a startups mas a qualquer tipo de empresa.

Às vezes pode ser difícil identificar qual o tipo de startup estamos lidando, pois ambas podem produzir produtos de excelente qualidade que resolvem muito bem os problemas das pessoas.

Vc deve estar se perguntando:

“Se os dois tipos de startup podem produzir bons produtos, de ótima qualidade, não é melhor então crescer rápido e ficar rico logo? Tudo bem que isso vai ser muito cansativo, mas a recompensa é enorme!”

Não consigo responder a essa questão pois isso é uma escolha pessoal. Não existe pessoa melhor do que vc mesmo para decidir isso. Só acho importante comentar que as chances de sucesso de uma startup de crescimento costumam ser pequenas pois o espaço para crescer rápido é mínimo e requer muito investimento financeiro, então provavelmente vc irá precisar buscar um investidor externo.

Já uma startup de estilo de vida de chances bem maiores de dar certo pois conquistando alguns poucos clientes vc já consegue algum resultado. Vc pode querer de sua startup de estilo de vido objetivos graduais. Primeiro que ela pague as próprias contas, depois que sobre algum para complementar o salário e dar entrada numa casa própria, ou numa casa de praia, ou pagar a escola do filho. E assim por diante. Com uma startup de estilo de vida vc pode ir crescendo de acordo com seu ritmo.

Nada impede que vc comece com uma startup de estilo de vida e ela vá crescendo até que chegue em um ponto em que chame a atenção de investidores que irão lhe fazer uma proposta de investimento. Nesse ponto vc deverá decidir se quer continuar com uma startup de estilo de vida ou se quer ter uma startup de crescimento.

Que tipo de médico é vc?

Quem me acompanha há algum tempo no meu blog pessoal, sabe que eu gosto de fazer analogias com a área médica.

Vamos mover o ponto de vista da startup para o cliente. Imagine-se agora como cliente, mas não de uma startup, mas sim de um médico. Nesse caso vc é o paciente e acabou de receber a notícia de que você tem um determinado problema que requer cirurgia. Qual médico você escolheria para fazer esta cirurgia, aquele cujo objetivo principal é ficar rico com a prática médica ou aquele que é realmente apaixonado pela medicina e sobre como tornar a vida de outras pessoas melhor? Ambos podem ser excelentes médicos e pode ser muito difícil distinguir um do outro, mas se for possível, acho que do ponto de vista do paciente haverá uma tendência natural a preferir aquele que é paixonado pelo que faz.

Tweet do Dalai Lama

Sigo o Dalai Lama no Twitter. Ele posta diariamente uma mensagem relacionada ao budismo. Para quem não conhece, o budismo é uma religião que está preocupada em porque as pessoas não são felizes e em como ajudar as pessoas a serem mais felizes. É assim que explico para a minha filha de 5 anos o que é budismo. :-)

Curiosamente hoje ele tuitou:

Riqueza pode contribuir para a nossa felicidade, mas não é o fator mais importante; por si só a riqueza falha em nos trazer satisfação plena.

Bastante em sincronia com as reflexões que são necessárias quando estamos pensando em nossos projetos futuros, incluindo começar uma startup.

Questione-se

Faça-se algumas perguntas para ter certeza que vc quer mesmo ter uma startup, e se vc está com a motivação correta:

  • Você tem ouvido falar tanto de startup que não quer ficar fora dessa?
  • Ou vc está vendo algum problema de um conjunto de pessoas que, com os seus conhecimentos, vc acha que pode resolver?
  • Qual recompensa que vc espera dessa startup?
  • Se dinheiro para as suas necessidades fosse assunto resolvido, mesmo assim vc gostaria de resolver esse problema de um conjunto de pessoas?

Próximo post

No próximo post, que irei publicar amanhã, vou falar sobre quanto tempo dedicar à startup e se dá para fazer uma startup sozinho.

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